5 de fevereiro de 2005

The Greatest Brazilian Hero

Odeio nacionalistas exacerbados. Também acho que todos os milicos deveriam morrer fuzilados. Afinal, milicos não passam de nacionalistas exacerbados com fardas. Existem poucas coisas na vida que são mais satisfatórias do que deixar nacionalistas exacerbados irritados. Descobri recentemente que a melhor forma de fazer isto não é falar mal do Brasil, mas sim falar de super-heróis. Se pararmos para pensar, o Brasil é um dos poucos países do mundo que não possui nenhum super-herói. Senão vejamos, os EUA tem o Capitão América, Homem-Aranha e uma outra infinidade de homens viris vestidos de colantes. O Canadá tem o Wolverine, o Guardião e toda o restante da tropa alfa. Até o Japão conta com toda a família Ultra (Ultraman, Ultraseven...), isso sem mencionar o precursor de todos eles, o National Kid.

O Brasil não tem super-heróis e nunca teve. Aliás, minto. Fiquei sabendo há pouco que durante a ditadura, os milicos estavam extremamente preocupados com a ausência de Supers tupiniquins. Foi aí que surgiu o projeto “Super-herói brasileiro”, criado a partir das mesmas mentes brilhantes que bolaram a Transamazônica. Com o aval do Médici, foram gastos milhares de dólares neste projeto, que visava transformar brasileiros típicos em típicos super-heróis.

No ínicio, milhares de infelizes foram expostos voluntariamente à todo tipo de radiação conhecida: raios-x, raios gama, UV, you name it. Os médicos milicos tinham certeza absoluta de que isto poderia causar mutações, que resultariam de alguma forma no desenvolvimento de poderes extraordinários. Infelizmente não deu certo.

Partiram então para a segunda fase do projeto. Analisando relatórios dos militares americanos, resolveram imitar o programa do super-soldado, que deu origem ao Capitão América. Este projeto era muito mais plausível, afinal o Capitão América era apenas um cara comum que tomou muita bomba e que usava um escudo indestrutível. Pegaram então um indivíduo chamado José da Silva (todos os voluntários eram chamados alguma coisa da silva, porque os caras queriam só pessoas tipicamente brasileiras)e injetaram a versão nacional do soro do super soldado nele (que no fundo não passava de um anabolizante para cavalos).

Depois contrataram instrutores de todos os tipos e começou o processo de transformação do sujeito que até outrora era apenas mais um José da Silva. Como era para ser um super-herói tipicamente brasileiro, ele só poderia lutar capoeira. Qualquer movimento ou golpe que lembrasse vagamente Karatê ou Kung-Fu seria considerado como algo herege pelos milicos. Os estilistas receberam orientações de que o uniforme tinha que exaltar o nosso verde, amarelo e o azul. Por fim, teve o problema do nome. Após muito pesar, optaram por Guaríni Etê, que significa “guerreiro forte” em Tupi-Guarani.

Infelizmente, assim como todos os projetos faraônicos que foram criados durante a ditadura, este também acabou não vingando. Guaríni Etê, o primeiro e único super-herói brasileiro, foi forçado a se aposentar sem nenhuma missão ou batalha no currículo.

Hoje, José da Silva é um merda na vida, assim como muitos Josés da Silva que existem por aí. Ele vende cachorro quente na Lapa e é atormentado pelas suas memórias, não porque ele sinta saudade daqueles tempos, mas porque elas trazem à tona todas as suas frustações acumuladas, decorrentes de grandes feitos que jamais foram realizados.

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