22 de dezembro de 2004

Todo Nerd merece ganhar uma Scarlett Johansson no Natal


Posted by Hello

Ok, here’s the deal... Sejamos realistas. Não deve existir um Papai Noel. Isto porque somente um Papai Noel não iria conseguir suprir a demanda de presentes de mais de 6 bilhões de seres humanos. Partindo deste pressuposto, imagino que existam vários Papais Noéis (Qual é o plural de Papai Noel?) no mundo. E as coisas devem funcionar da seguinte maneira, cada Papai Noel deve ser responsável por um determinado segmento da população. Você acha que o Papai Noel dos idosos, cuja única preocupação ao longo do ano é de fabricar fraldas geriátricas, entende alguma coisa de Ipods? Claro que não! Por isso existe o Papai Noel das crianças, Papai Noel dos pedófilos e é claro, o Papai Noel dos Nerds.
Ser Papai Noel dos Nerds é uma tarefa das mais árduas. Isto porque esta fatia da população está entre as mais exigentes do mundo. “Querido Papai Noel, quero uma trilogia em DVD de Star Wars, só que na minha versão o Greedo tem que atirar primeiro!”.Neste Natal então o pobre Papai Noel dos Nerds deve estar tendo um trabalho redobrado. Isso porque de forma mais ou menos surpreendente, ao invés de pedirem Ipods, Notebooks e Half-Life 2, a maioria dos Nerds do planeta exigiu Scarletts Johanssons novinhas em folha!
Vejam bem, fazer uma Scarlett Johansson é um trabalho complicado. Não é a mesma coisa que fazer uma Scheila Carvalho da vida (pedido muito popular entre os outros Papais Noéis), onde a única preocupação é adicionar carne na bunda. Fazer uma Scarlett é uma arte que exige anos de estudo em oficinas de Milão, Paris e Frankfurt. Além do mais como eu já mencionei antes, os Nerds são muito exigentes e às vezes pedem que as suas Scarletts sejam feitas sob medida. Eu, por exemplo, pedi um modelo com menos peito do que o original.
Então nesta gloriosa manhã de 25 de Dezembro espero ver a minha Scarlett Johansson embrulhada embaixo da árvore de Natal. Devo ir passear com ela no parque do Ibirapuera (já que vou estar em São Paulo), onde irei causar inveja nos pobres mortais não-Nerds que pediram Luana Piovanis, Sandys e até dos coroas que pediram Vera Fischers. “Por que eu não pedi uma Scarlett Johansson? Eu devia ter pedido uma Scarlett Johansson!”, este lamento se tornará uma coisa corriqueira até o Natal do ano que vem.
Espero também que a minha Scarlett Johansson dure bastante, pois ouvi dizer, que assim como nos Ipods, não dá para trocar a bateria. Em todo caso, no Natal do ano que vem eu já estou pensando em pedir uma Emily Van Camp ou uma Keira Knightley.

21 de dezembro de 2004

Um conto de Natal

Parecia que aquela embalagem esteve sempre exposta naquela vitrine à sua espera. A partir de uma distância de 10 metros, a caixa enorme e multicolorida era facilmente avistada. “Os incríveis insetos do circo de Nathaniel”, estas palavras estavam impressas em letras douradas garrafais na frente da embalagem. Quando aqueles olhos grandes de criança pousaram nela pela primeira vez , sua mente já havia decidido o que ele gostaria de ganhar no Natal daquele ano. E ainda estávamos em meados de Julho. O restante do ano demorou a passar para o pequeno Beto, assim como para seus pais que quase diariamente eram obrigados a ouvir sobre “Os incríveis insetos do circo de Nathaniel”. Beto teve que se confortar por 6 meses com a promessa de que Papai Noel se lembraria dele na manhã de Natal.

Na noite de 24 de Dezembro, antes de ir para a cama, Beto se ajoelhou e pela primeira e última vez na sua vida fez uma prece silenciosa.

Quando amanheceu, o garoto desceu correndo as escadas e viu uma embalagem embaixo da árvore de Natal. Era um trenzinho.

Os anos passaram e o pequeno Beto se transformou em Roberto Pereira dos Santos, um executivo bem-sucedido que dirigia uma Ferrari e trepava com modelos. Porém, em todos estes anos ele não conseguia evitar e sempre depois do sexo proferia a frase-clichê, “As coisas não deveriam ter sido assim” (Algumas vezes após o sexo ele também falava a outra frase-clichê, “Não é nada disso que você está pensando”, mas isso fica para outra estória).

Quando ele já tinha 45 anos, recebeu um telefonema de sua mãe e foi convidado para a tradicional festinha de Natal na casa dos pais.
“Vem pra cá filho, toda a família vai estar aqui.”
“Ok, mãe. A partir de que horas? Dez? Tá bom. Não, não vou levar ninguém.”
“Oi filho, que bom que você veio, já faz um bom tempo que você não liga.”
“É que eu estive meio ocupado mãe. Oi pai.”

Depois de muitas outras frases-clichês, todos sentaram ao redor da mesa de jantar.Estavam presentes, além dos pais de Roberto Pereira dos Santos, seu irmão e sua irmã, seus tios e seus avós.

Agora mais uma frase-clichê, cortesia do pai do Roberto.

“Filho, você quer fazer a prece?”

Roberto se levantou da cabeceira da mesa e sacou uma pistola do bolso. Atirou nos avós, nos irmãos e nos tios. Quando os seus pais correram apavorados, ele pegou uma embalagem que trazia consigo e os seguiu. Acuados no canto da sala, os dois olharam para Roberto, que abriu um sorriso e disse, “Pai...Mãe...Obrigado por terem me preparado para a vida.” Em seguida Roberto disparou contra a sua própria cabeça. Enquanto sua mãe entrava em um estado catatônico, o pai se arrastou e abriu a embalagem que jazia nos pés do cadáver de seu filho.

Na frente da embalagem estava escrito, em letras douradas garrafais, “Os incríveis insetos do circo de Nathaniel".

Os pais de Roberto se mudaram e nunca mais ninguém soube deles. Outras famílias habitaram aquela casa, onde viveram suas alegrias e tristezas. No entanto, desde aquela noite de Natal, o odor de sonhos despedaçados ficou impregnado no local e nunca mais se extinguiu.

11 de dezembro de 2004

Escrevendo uma cartinha...

Recentemente, fui obrigado a voltar para o Instituto Metodista Bennett, onde estudei quase a minha vida inteira, porque precisava obter meu histórico escolar. Chegando lá fui muito bem recebido pelas moças que trabalhavam na secretaria. Acho que como é um procedimento normal nestes casos, elas me perguntaram o que eu fazia da vida. Não preciso dizer que elas ficaram bastante surpresas quando souberam que eu fazia doutorado na UFRJ. Acho que isso aconteceu porque a maioria dos ex-alunos do Bennett devem ter se tornado cafetões, traficantes ou ambos. A partir daí as bajulações por parte delas aumentaram ainda mais. Algumas elogiaram meu cabelo (ohhh...), outra me deu uma caneta (que já foi devidamente perdida) e me recordo que uma delas soltou a pérola, “Esses Bennettenses são bons mesmo!”. Finalmente, as moças me fizeram prometer que eu escreveria uma carta para o jornalzinho da escola, relatando o papel que o Bennett teria exercido na minha formação.

Bom, eu posso ser um perfeito filho da puta, mas por incrível que pareça, sou um homem de palavra. Então aproveitando esta noite de sábado ociosa, decidi finalmente (acho que já faz mais de 2 anos que eu passei no Bennett) por a mão na massa e escrever a carta que me pediram. Estou deixando o draft inicial aí para colher opiniões.

O papel do Bennett na minha formação, por Leo Morita Miyakoshi

Sempre fui um nerd maldito. Toda a minha vida no Bennett fui rejeitado pelas mulheres e humilhado pelos meus coleguinhas nas aulas de Ed. Física. Sempre existiram pessoas que implicavam comigo e queriam me bater. Perdi a conta das inúmeras vezes em que chorei na frente de todos. Alguns professores eram bem legais comigo, não posso negar. Mas, carrego comigo também a lembrança de vermes como a professora Eny e outros carrascos que se achavam professores de Ed. Física. Sei que todas estas coisas ficaram para trás e que devemos seguir nossa vida, mas se pensarmos assim porque não esquecemos também Auschwitz, Dachau e Treblinka?
Hoje continuo sendo um merda na vida. Sou obrigado a torturar e violentar menininhas para satisfazer meus impulsos sexuais bizarros. Eu não gostaria que fosse assim, mas as vozes na minha cabeça me obrigam. O que eu posso fazer?
Aproveito para deixar aqui minha gratidão eterna para todas as pessoas do Bennett que colaboraram na minha formação.

“Salve, Bennett querido, nosso lar de bênçãos mil! Qual luzeiro foste erguido para a glória do Brasil !”

5 de dezembro de 2004

Holocausto evangélico

Provavelmente todos os ditadores que já existiram na história da humanidade eram homens de baixa auto-estima e munidos de vários complexos. Como todos já devem saber, Hitler possuía um só testículo, Mussolini tinha um pênis minúsculo, Stalin chorava como uma menina e o Pol Pot... Bom, este cara era simplesmente muito feio.

Desta forma, acho que eu poderia vir a ser um grande ditador. Talvez o maior que o mundo já conheceu. Aproveito para lançar aqui a minha campanha oficial para me tornar ditador do Brasil. Acho que preencho todos os requisitos necessários, pois não apenas tenho a auto-estima de uma lombriga defeituosa, como possuo também a segunda característica fundamental para me tornar um tirano profissional, que é a implicância com certos grupos de pessoas.

Hitler (sempre ele) implicava com os judeus, Milosevic não nutre amores pelos albaneses kosovares e sempre foi uma decisão sábia nunca colocar o General Franco junto com os torcedores do Barcelona.

Acho que se eu fosse ditador minha implicância iria variar, ao longo da minha permanência no poder, tanto em nível de intensidade como no seu direcionamento. Por exemplo, acho que nos meus primeiros 6 anos no poder eu direcionaria todo o meu ódio aos vários grupos evangélicos que povoam este Brasil. Inicialmente, os evangélicos teriam que andar sempre com bíblias debaixo dos braços para serem identificados de longe. Depois, creio que fecharia todas as igrejas universais, que seriam demolidas e substituídas por cinemas multiplex. Por fim, todos seriam deportados para campos de concentração. Quando eu me cansasse de implicar com os evangélicos, acho que passaria para os católicos, depois para as testemunhas de jeová e assim por diante...

Obviamente, como tudo que é bom dura pouco, quando eu estivesse me divertindo bastante, os EUA mandariam suas tropas para me tirar do poder. Posso ver claramente os marines desembarcando na praia de Copacabana. Como sou covarde, aceitaria sair do poder sem demonstrar a menor resistência e iria todo feliz para Haia, responder pelos meus crimes de guerra. Na minha velhice, impossibilitado de retornar ao Brasil, veria documentários no GNT sobre o período mais negro da história do país, a ditadura de Leo. Escutaria os depoimentos dos sobreviventes dos campos de concentração e dos americanos que os libertaram. Um soldado americano se recordaria da visão dos evangélicos esqueléticos saindo em fila dos campos de concentração, cantando aquelas músicas de igreja em uníssono. Então chorando copiosamente ele diria, “The horror, The horror, oh.... The humanity!”.

2 de dezembro de 2004

saia vida que alimento
sai do reto o excremento
sai de mim amor eterno
sai na moita enquanto inverno

saia dor venha torpor
sai pesar pelo apesar
sai lamento e compaixão
sai tormento e vem perdão

sai da ducha pra se ver
se no espelho pode ser
vai com dedo na garganta
sai com toda esperança

saibam que ainda nua
sai por esta porta e rua
sai por essa vida e corre
sai daquela merda e morre