26 de março de 2010

O Livro de Eli (2010)

Árido em cores, mas fecundo em esperança O Livro de Eli se desenrola como uma jornada western, com Denzel Washington no lugar de Clint Eastwood e o devastado futuro pós-apocaliptico no papel de Velho Oeste.

Nesse futuro sem lei onde sobrevivência é luxo e todas as necessidades se baseam em ter água pra beber e onde os predadores dos humanos são os próprios humanos, Eli (Denzel) segue inabalável em seu caminho de fé rumo ao oeste, não se deixando vencer por obstáculos mas não hesitando em decepar mãos ou atravessar jugulares quando necessário.

A direção de arte é impecável com tons sempre desaturados em alguns momentos beirando o preto e branco. Como quando Eli caminha no deserto que se tornou os Estados Unidos planos muito abertos mostram a desolação do lugar e quando encontra um grupo de marginais sob a sombra de um viaduto a luta se dá num interessante plano sem cortes em que vemos apenas as silhuetas se degladiando.

O filme insiste em manter segredo sobre o livro do título por quase 1 hora embora o espectador já tenha desvendado muito antes, alia-se a isso essa meta meio vazia e de propósito desconhecido mesmo pelo protagonista e fica difícil para o filme nos convencer a embarcar na aventura, mas o espectador, homem de fé que só, acompanha tudo com a esperança de que será recompensado ao final e quando uma série rápida revelações simultâneas dão ao filme a surpresa e o efeito WTF que estavamos esperando, você quase tem a justificativa das suas duas horas.

The Book Of Eli (2010), dir. Albert & Allen Hughes

Cães de Aluguel (1992)

Desde os primeiros minutos de Cães de Aluguel podemos sentir que estamos diante de um tipo diferente de “filme de assalto à banco”.

A cena inicial figura uma camera que circula infinitamente por uma mesa redonda de um café barato enquanto os comensais tomam café, acendem seus cigarros, discutem, fazem piada e falam besteira. Um deles levanta a discussão sobre as músicas da Madonna, um velho com cara de durão diz com conhecimento de causa que gostava dela até “Borderline”. O estilo e dialógos beiram a perfeição e o espectador é imediatamente transportado para aquele café, querendo saber tudo aquelas pessoas com sacadas tão geniais e como terminaram nas suas vidas de crime.

Segue-se os créditos iniciais com os personagens saindo do tal café em direção à seus carros. Nessa pequena caminhada de não mais que 20 metros closes em slows motion nos entregam ainda mais sobre personalidade e contexto daqueles personagens: o seguro Mr.Blonde (Michael Madsen), o experiente Mr.White (Harvey Keitel), o apreensivo Mr.Orange (Tim Roth) e assim por diante. É incrível que em seu primeiro filme Tarantino tenha reunido um dos melhores elencos imagináveis, com todos realizando ali uma de suas melhores performances de suas carreiras.

A história sobre o assalto à uma joalheria que dá terrivelmente errado é contada inteiramente sem qualquer cena do assalto em si. Dessa forma, somos dispostos às peças de um quebra-cabeça tão grande que nem os próprios envolvidos no assalto conseguem chegar a qualquer conclusão cada um apresentando sua versão e chegando aos poucos e separadamente ao esconderijo. Acreditamos, como eles próprios, que pode muito bem ser qualquer um, ou mesmo nenhum.

Junta-se à narrativa flashbacks bem encaixados sobre os personagem que conseguem nunca incomodar ou interromper a ação. Em determinado momento um dos capítulos nos revela a identidade do traidor do bando, mas nesse ponto isso adiciona ainda mais tensão à história ao invés de eliminar ou diminuí-la.

Com o enredo caminhando confiante e a passos largos rumo ao seu final nos vemos, embora em meio à uma tragédia shakespeareana, Tarantino eleva a tensão à níveis cômicos para logo depois nos derrubar mais uma vez com seus disparos finais.

Reservoir Dogs (1992), dir.Quentin Tarantino

31 de dezembro de 2008

Feliz 2O.O9



Aproveitem, último par!
Você já se deu conta de que esse é último reveillon de suas vidas em que será permitido usar os incríveis óculos de ano novo?
Os óculos com dois zeros são tradição de reveillon, da tia bêbada ao playboy engraçadinho eles estão sempre entre nós e mesmo que morra de vergonha, se você revirar os recônditos dos seus armários provavelmente vai achar um ou dois pares. Ao contrário de todas as outras queridas tradições de ano novo esta morrerá amanhã.

Por que meu deus, por que?
Por que não matar a tradição das sete ondinhas, a de comer lentilhas puras e mal cozinhadas, a de guardar pedaços de frutas e plantas mortos na carteira, a de jogar papel picado pela janela, entupindo ralos em plena época de chuvas. Por que não acabar com a tradição de sujar as praias e águas com plantas, flores, velas, garrafas, galinhas e barcos de oferenda que depois de 2 minutos na água viram ameaçadores pedaços de madeira com pregos enferrujados pra todos os lados e tantas outras besteiras tradicionais. Nãaaaao... quem tem que morrer são eles, os óculos.

Eu estava lá!
Você já imaginou as implicações disso para o resto de sua vida?
Mesmo que você não se dê conta agora, usá-los uma única vez será para sempre um marco na sua vida. Como quando você perguntou "Pai, você viu o homem pousar na lua ao vivo na tv?", ou "Mãe, você comprou um disco recém lançado dos Beatles e do Elvis?" ou ainda "Tia, você viu Noviça Rebelde no cinema?". Seus filhos por sua vez lhe perguntarão "Você usou óculos com dois zeros no lugar dos olhos?" ao que você dará um risinho saudoso e nostálgico, sentirá o peso da idade e responderá de forma falsamente orgulhosa que sim, você um dia ostentou aqueles dois grandes zeros nos olhos e mentirá dizendo que era o máximo, começará a frase seguinte dizendo que "você, meu filho, tinha que ver, aquilo sim é que era reveillon... essa geração não pode nem imaginar o que é usar um óculos com dois zeros na cara, vocês não sabem o que é isso, hoje em dia as pessoas ..." e continuará um extenso e insuportável sermão que fará seu filho se arrepender pra sempre de ter iniciado o assunto.

Portanto, meus caros, aproveitem a noite, eat drink and be merry, pois depois de amanhã, só em 2999.

8 de dezembro de 2008

28 anos sem

6 de dezembro de 2008



De uma verdade tão absoluta e incomum pra música pop que não admira chamarem-na de E.T. e esquisitinha.

4 de dezembro de 2008

Walt Disney comendo um galetinho em Copa


Life. 1941. Foto de Hart Preston.

27 de novembro de 2008

Memento mori

Esse draft estava pendurado há quase um ano esperando refinamentos para ser publicado, eles não vieram mas como já passou da hora, com vcs... um post.

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Ontem foi noite de Heroes, parece bem nerd dizendo assim, mas na verdade é mais nerd ainda. Todo mundo se junta pra ver um episódio de um seriado sobre super heróis, comer pizza e jogar videogame, a série está se aproximando do fim o que torna cada evento mais importante, as pessoas se apegam à oportunidade semanal de reencontrar os amigos e ter um good time melhor quando há a perspectiva de não haver mais.

O que nos leva à discussão-do-café do dia, aparentemente segundo o calendário maia o mundo vai acabar em 2012. Os maias acertaram muito em muitas coisas e seu calendário já previu uma série de marcos astronômicos importantes. Pois em setembro de 2012 o evento previsto é de tamanha magnitude que o calendário Maia simplesmente não passa dessa data. O calendário acaba. É difícil de conceber pra nós e nossas datas, mas seria como se escrever "5 de novembro de 2032" fosse errado, simplesmente porque essa data não existe.

E então o que seria do mundo se o mundo fosse acabar em setembro de 2012?


Qual a perspectiva das coisas?

Seu amanhã seria da mesma forma se você soubesse que sua vida será abreviada com data marcada?

É mais difícil ou mais fácil viver contando os dias?
Algumas pessoas acham impossível e prefeririam não saber e etc. Acho que seria a coisa mais fácil e desejável do mundo, pra começo de conversa você não perderia mais seu tempo com coisas que não lhe satisfazem ou que representam um benefício longínquo.

Como o porquê de entrar numa faculdade de 4 anos se você tem 1 ano de vida. É impossível não se arrepender daquele tempo que você vai passar investindo numa carreira e num curso que nunca vão existir, que nunca vão se consolidar.

Por que trabalhar de 9 às 6 numa coisa que você odeia, ficar rindo simpaticamente pra tudo que é filhadaputa, voltar pra casa exausto, cair na cama, e acordar 7h pra repetir tudo de novo? Se você tem mais 1, 2 ou mesmo 5 anos de vida, isso faz algum sentido?


Sério. Pra que estamos aqui?

Alguém se propõe como missão de vida vir ao mundo servir cafezinho ou vender bala no sinal?

As missões de vida são sempre coisas nobres ou coisas idiotas mal disfarçadas de coisas nobres. Acabar com a fome na África, lutar pela democracia, liberdade, educação e direitos dos menos favorecidos ou tornar o mundo um lugar mais bonito, mas francamente, se o mundo acaba em 5 anos até mesmo essas coisas perdem o sentido.

Por que você investiria na sustentabilidade, criação de empregos, fundação de escolas de ponta com bibliotecas supimpas e acesso à internet banda larga gratuito nas savanas da Etiópia ou qualquer outro bullshit desses se o mundo acaba em 5 anos? Vai levar 2 anos pra redigir projetos, captar recursos, estudar viabilidade, vencer toda a burocracia, mais 2 pra erguer os prédios e botar a porra toda pra funcionar. Se a formação básica de 1° grau levar 4 anos, o mundo vai ter acabado a 3 quando o primeiro etíope se formar no seu sensacional projeto de responsabilidade social.

Se o mundo fosse acabar em 5 anos, todo dia seria noite de Heroes e toda semana seria um feriadão prolongado.

23 de outubro de 2008

não é irônico?

Enquanto aqui o TSE proíbe uso de celulares, máquinas fotográficas e filmadoras na cabine de votação, lá nos EUA eles celebram convidando as pessoas a fazer justamente o contrário!

e ambas ações em nome do mesmo ideal de defesa e enaltecimento da democracia! :-)

9 de outubro de 2008


2 de outubro de 2008

Há esperança

Gabeira Prefeito 43

Sempre votei nele, mas pela chance real de um segundo turno sem Crivella faço até campanha.



Eduardo Paes (PMDB - 29%),
Marcelo Crivella (PRB - 19%),
Fernando Gabeira (PV - 17%),
Jandira Feghalli (PCdoB - 12%)

Que meus 3 leitores votem com consciência.

fonte: datafolha

19 de setembro de 2008

I'm a PC

Depois de 3 anos apanhando em silêncio, finalmente alguém se levanta pra resgatar o orgulho da classe. :)

Update:
mais duas peças de 30 segundos.

25 de agosto de 2008

13 de junho de 2008

I don’t wanna be an ant

A melhor cena de um dos meus filmes preferidos, mas pode chamar de soporífero, pretensioso e erudito à vontade.



Excuse me.

Excuse me.

Hey, could we do that again? I know we haven’t met, but I don’t want to be an ant, you know. I mean, it’s like we go through life with our antennaes bouncing off one another, continuously on ant auto-pilot with nothing really human required of us. Stop, go, walk here, drive there, all action basically for survival, all communications simply to keep this ant colony buzzing along in an efficient polite manner. Here’s your change. Paper or plastic? Credit or debit? Want ketchup with that? I don’t want a straw, I want real human moments. I want to see you. I want you to see me. I don’t want to give that up. I don’t want to be an ant, you know.

Yeah, I know. I don’t want to be an ant either. Ha ha. Thanks for kind of jostling me there. I’ve been kind of on zombie auto-pilot lately, I don’t feel like an ant in my head, but I guess I probably look like one. It’s like D.H. Lawrence had this idea of two people meeting on a road, and instead of just passing and glancing away, they decide to accept what he calls the confrontation between their souls. It’s like freeing the reckless gods within us all.

Well, then, it’s like we have met.


Waking Life foi um filme alardeado pelos seus avanços tecnológicos, inovações técnicas e apelos estéticos, o que é uma certa injustiça com seu tema e roteiro. O filme é uma viagem liberadora e provocativa, em que as imagens são mais um veículo pra imaginação do que propriamente um fim. É uma bela tentativa de expressar cinematográficamente complexos dilemas existenciais e metafísicos.

19 de maio de 2008

15 de abril de 2008

Recital

O amigo Luiz De Simone se apresenta hoje, do yourself a favor:

15 de abril de 2008 - Terça Feira, 19h
Série Jovens Pianistas
Centro Cultural Justiça Federal
Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro
(ao lado do Metro Cinelândia)
* R$10,00 / R$5,00 (meia)

Schizoid

People with schizoid personality disorder avoid relationships and do not show much emotion. Unlike avoidants, schizoids genuinely prefer to be alone and do not secretly wish for popularity. They tend to seek jobs that require little social contact. Their social skills are often weak and they do not show a need for attention or acceptance. They are perceived by others as humorless and distant and often are termed "loners."

14 de abril de 2008

Luz

Se a luz tem massa e a Terra recebe grandes quantidades de luz Solar diariamente.
Estaria o planeta aumentando de tamanho?

10 de abril de 2008

Juiz condena Google a pagar R$ 10 mil para mulher ofendida no Orkut

Só pra saber, por favor... isso faz algum sentido pra alguém?
link

7 de abril de 2008

E Einsten se revirou um pouquinho

O nome do novo disco da Mariah Carey é E=MC².
Não sei porque, mas eu achei cruelmente genial.


3 de abril de 2008

universo

Se por definição o universo é tudo e está em expansão...
pra onde diabos ele está se expandindo?

1 de abril de 2008

Etanol x mundo



De acordo com a Time o etanol é péssimo para a economia e desastroso para o meio-ambiente.

A discussão chega ao ponto de afirmar que até mesmo o etanol promovido por eco-ativistas é mais desastroso que derivados de petróleo.

Todos os maiores candidatos à presidência americanos (ainda não sei sobre dos brasileiros, mas eles também não sabem) apoiam o etanol, a Time está errada ou em alguns anos o mundo botará o dedo na cara e dirá que foram todos incompetentes?

A mão do mundo exige a solução da dependência de petróleo... mas e quando o efeito colateral do remédio é pior que a própria doença?

4 de março de 2008

mais Rio 2008

Grandes momentos da humanidade:

3 de março de 2008

Rio 2008

E eis que dentre cinzas, Crivellas e Wagner Montes finalmente ficou fácil votar pra prefeito no Rio.

Tirinhas



A genialidade se manifesta das formas mais assustadoras...
Imperdível.
Cersibon

14 de fevereiro de 2008

Stuff White People Like

Stuff White People Like, é meu novo vício...
Music is very important to white people. It truly is the soundtrack to their lives, meaning that white people are constantly thinking about what songs would be on the soundtrack for the biopic. The problem is that most of the music that white people like isn’t really dance-friendly. More often the songs are about pain, or love, or breaking up with someone, or not being able to date someone, or death.

So when white people go to concerts at smaller venues, what to do they do? They stand still! This is an important part of white concert going as it enables you to focus on the music, and it will prevent drawing excess attention to you. Remember, at a concert everyone is watching you just waiting for you to try to start dancing. Then they will make fun of you.

The result is Belle and Sebastian concerts that essentially looks more like a disorganized line of people than a music event.

If you find yourself invited to a concert with a white person, do NOT expect to dance. Prepare yourself for three hours of standing reasonably still. It is also advised to get a beer or (if legal) a cigarette so you have something to do with your hands. Although it is acceptable to occasionally raise one hand and point just above the stage.

Note: the addition of the drug ecstasy changes everything.

13 de janeiro de 2008

Pessoas em ordem


Brilhantemente simples e original. Impressionante é quantidade e a gradação dos sentimentos experimentados ao longo de apenas 3 minutos.

11 de janeiro de 2008

A true love story

Deu vontade de sentar, chorar e ficcionar um conto, mas vou ter que deixá-los apenas com uma objetiva versão jornalística:
Casamento de gêmeos separados no nascimento é anulado
"Foram separados no nascimento não se conheciam nem sabiam da existência um do outro. Se conheceram já adultos e sentiram uma atração inevitável, mas a lei os separou na marra"

Update
Bruno Castello disse:
Situação, hein? Honestamente, não sei o que eu faria... Embora sejam obrigados por lei a anular o casamento, como lidar com a atração inevitável e com a vida em comum?
Exatamente, como se lida com uma notícia dessas?
a) Vocês terminam pra sempre e nunca mais vêem o gêmeo que você nunca souberam que existia?
b) Vocês anulam o casamento mas continuam se encontrando pra tomar um café e saber das novidades?
c) Vocês dizem foda-se o mundo e continuam o incesto?
E por mais que se negue acho que no fundo todos nós entendemos que a última é a única que é uma opção de verdade.

12 de dezembro de 2007

Star Wars Barroco


Desenhos geniais do sueco Mattias Adolfsson :)
Parte 1, Parte 2, Parte 3

29 de novembro de 2007

War in Rio




Brilhante projeto de Fabio Lopes, o melhor presente pro Natal.

mais aqui

21 de novembro de 2007

Vivendo em Três Séculos

Homem de ascendência alemã e irlandesa de 110 anos e 115 dias. Vários de seus antepassados viveram além dos 100.

Serviu o exército na 1ª e 2ª Guerras Mundiais e trabalhou como guarda-freios de ferrovia. Durante a Grande Depressão viajou pelo país vagando em trens com vagabundos.

Se casou três vezes, se divorciou de uma e viveu mais que as outras duas.

Aos 102 andava 10 milhas por dia. Agora ele anda 3 milhas por dia e ainda lê as últimas três linhas miúdas do teste oftalmológico. Parou de beber aos 60, mas fumou até os 80.

Continua trabalhando algumas horas por semana num salão de bronzeamento/cafeteria.

Ele diz, "Eu ainda corro atrás das mulheres bonitas. Só não consigo mais alcançá-las."

O resto da coleção está aqui.

30 de outubro de 2007

O que faz de você um mala?

Gretchen Rubin lista 7 assuntos que você deve evitar se não quiser ser um mala e eu não pude deixar passar.

Ela diz:
A menos que você tenha uma resposta entusiasmada do interlocutor - o que é sempre possível - esteja atento se contar...
1. Um sonho.
2. Recentes mudanças nas horas de sono do seu filhinho.
3. O caminho que você tomou pra chegar aqui.
4. Uma comida excelente que você comeu em determinado restaurante.
5. Sua última aquisição para a adega de vinhos.
6. O placar da última partida de golfe
7. A trama de um filme, livro ou peça - especialmente as partes engraçadas, especialmente se o outro não viu, leu, assistiu e especialmente se envolverem citações.
Pra fechar 10 adiciono:
8. Histórias de bêbado.
9. Coisas que envolvam pessoas a mais de 2 graus de separação. "Aí a Maria, amiga da Paula, namorada do Ricardinho - lembra do Ricardinho? - então...".
10. Qualquer coisa tech para pessoas não-tech.

E pra você?
Que assunto te faz balançar a cabeça e falar "a-ham" até acabar? :D

via Lifehacker | via The Happiness Project

7 de agosto de 2007

8 passos

15 de maio de 2007

Free Punch

19 de fevereiro de 2007

Aquele abraço

18 de janeiro de 2007

O Homem que conhecia as mulheres

Nem só de livros bons vive o homem. Me fiz ler esse livro basicamente porque título é muito bom, e eu nunca tinha lido o autor. Mas ao contrário da boa surpresa com o livro da semana passada o novo de Marcelo Rubens Paiva é muito abaixo do que se espera.

O primeiro terço é uma insuportável desfiação de lugares comuns. Uma seqüência interminável de contos curtíssimos que apenas apresentam clichês de personagens femininos sem as desenvolver nem levar a lugar nenhum. É quase como sair clicando a esmo por perfis do orkut. O resto do livro tem contos um pouco mais interessantes, sempre em torno do tema do título, mas a impressão final é ruim.

Se "O Homem que conhecia as mulheres" fosse um livro de estréia de um blogueiro mediano já seria uma decepção. De um homem que já teve algumas vezes o adjetivo "genial" aplicado antes de seu nome acho me cabe dar uma segunda chance, ler seu livro ícone da minha geração, e acreditar que nem só de livros bons vive um escritor.

11 de janeiro de 2007

Feras de lugar nenhum

"A estrada é muito longa, mas às vezes é bom olhar pra ela. Gosto do jeito que ela sobe e desce como se fosse um animal, como se move junto com a terra que faz ela. Quando a gente olha para a estrada ao sol, então a gente vê como ela é grande e como todas as árvores respeitam ela e tentam não nascer nela. Só pequenas coisas não respeitam a estrada, as plantas pequenas e às vezes os pequenos animais aqui e ali que são atropelados por um carro e ficam lá por um bom tempo. Estou com medo porque não tem nada na estrada, só a gente e essas pequenas plantas que não respeitam a estrada, e já que elas não respeitam a estrada, a estrada está matando elas, e como nós não estamos respeitando a estrada e vamos ao banheiro nela e cuspimos nela, estou com medo de que ela mate a gente logo também."
Feras de Lugar Nenhum - Uzodinma Iweala

Primeiro livro do nigeriano Iweala, "Feras de lugar nenhum" ganhou uma cacetada de prêmios de revelação e ótimos reviews em publicações internacionais. Tem uma narrativa que às vezes lembra o também ótimo Estranho caso do cachorro morto. Em primeira pessoa, pelo ponto de vista do jovem Agu que conta tudo sempre num presente infinito, sejam lembranças do passado ou planos pro futuro.

Agu é uma criança recrutada soldado de uma milícia num lugar não identificado da África. Que viu a morte de seus parentes e toda a sorte de atrocidades e agora está envolvida numa guerra sem fim, que não consegue entender. Agu, aliás, não entende muita coisa do horror em que vive, mas quer que a guerra acabe logo para que possa estudar e ser engenheiro ou médico, ganhar muito dinheiro e ser bem gordo.

4 de janeiro de 2007

Resoluções de ano novo

1. Não fazer resoluções de ano novo.

11 de dezembro de 2006

Festa de casamento à porngrind alemão


Aphrodisianus - Cock And Ball Torture

27 de novembro de 2006

Ronaldinho vs Villareal

Ontem foi um dia e tanto para o garoto.


E se você odeia futebol, e teve ânsia de fechar o browser só de ver a tela acima, peço apenas que veja esse lance (20 s), tenho certeza que ainda é capaz de apreciar uma bela obra-prima.

24 de novembro de 2006

A Fuga dos Perus

Em plena véspera de Thanksgiving, perus de Nova Jersey são flagrados esperando o trem numa desesperada tentativa de fugir da cidade, e de seu cruel destino.


Procurada pela equipe do Deshnok, Mrs. Tweedy não quis comentar o caso.

18 de novembro de 2006

Lost - As 50 maiores pontas soltas

O IGN fez uma lista das 50 maiores pontas soltas da série até agora. Como eu já falei anteriormente, é interessante rever como certos assuntos começam, ganham uma puta importância e são meramente abandonados ao esquecimento.

O artigo é legal, mas a pretensão de fazer uma lista de 50 itens obriga o autor a incluir muita forçação de barra, redundâncias ou pedidos de explicação de coisas irrelevantes ou que já foram tacitamente explicadas.

Vamos a elas:

50. Os Others e o mundo exterior - qual a relação entre eles e pq eles não vão embora?

49. O cara de tapa olho

48. A ilha prisão - como eles chegaram até lá e como ninguém viu antes?



47. A citação no cajado do Eko, João 3:05

46. O pé da estátua de 4 dedos

45. Porque haviam tantas armas na escotilha? (se ela era destinada a apenas duas pessoas)

44. O cabo - que o Sayid encontra na praia, em suas andanças da primeira temporada.

43. Bússola apontada para 325 - Ben diz que para o Michael sair da ilha ele deve manter a bússola apontada a 325. Por que? qual o significado do número e o que há naquela direção?

42. A escotilha Pearl

41. A torre do rádio - por onde eram transmitidos os números e por onde agora é transmitido o pedido de socorro da Rousseau.

40. Esqueletos na caverna - Na caverna que desmorona e onde moraram um tempo haviam 2 esqueletos de um homem e uma mulher, apelidados de Adão e Eva, com eles Jack encontra um saquinho com uma pedra preta e uma branca.

39. Por que Ben não pegou o Jack antes? - Se ele já sabia a tempos que estava com um tumor e que Jack era um cirurgião especializado.

38. O significado dos 108 minutos.

37. Há quanto tempo os eventos da ilha estão acontecendo? - A idade de coisas como o Black Rock, Adão e Eva, avião de contrabantistas e equipamentos das escotilhas fazem você ter vontade de ter uma timeline completa da ilha. O quanto a Dharma é responsável pelas coisas bizarras e o quanto elas já eram bizarras naturalmente.

36. Quem é a misteriosa filha do pai do Jack?

35. Onde está a equipe da Pearl?

34. Simbolismo preto e branco - pedrinhas de adao e eva, sonho da Claire, tabuleiro de gamão...

33. Jack arremessado do avião - por que enquanto estão todos correndo pela praia, o Jack acorda tranquilamente bem distante, no meio da floresta, e porque suas pupilas dilatam quando ele abre o olho? na primeira cena do primeiro episódio.

32. Suprimentos - comida e remédio caem do céu periodicamente. Por que? Pra quem? Pra que? Quem manda?

31. Por que Desmond não conseguiu sair da ilha? - Ele diz ter navegado 2 semanas e meia para o Oeste sem sucesso. Por que? Se o problema é o magnetismo e a bússola enlouquecida, um navegador preparado como ele não poderia ter simplesmente navegado para onde o sol se põe, ou seguido as estrelas?

30. Ben viveu a vida inteira na ilha - como assim? :)

29. Onde o Desmond escondia o barco?

28. Onde estão e quem são os sobreviventes capturados pelos Others?

27. O que é o tubarão Dharma?

26. Libby - Embora nunca tenha ganhado um episódio próprio, seu passado estava ligado a personagens demais para ser simplesmente ignorado.

25. O Black Rock - como um navio aparece no meio da floresta?

24. Michael e Walt - Eles conseguiram chegar em terra firme? O que aconteceu? Porque os Others se deram ao trabalho de capturá-lo e depois deixá-lo ir na maior. Veremos eles novamente?

23. Desmond pode ver o futuro? como? quanto? por que?

22. A implosão da escotilha - por que explodiu? e por que quem estava dentro não morreu.

21. Onde está o corpo do pai do Jack? - um dos primeiros mistérios de toda a série.

20. Aaron - porque nego queria TANTO o filho da Claire? o que tinha de tão importante nele? Pq eles não dão a menor bola pra ele agora?



19. Que são as Vozes no meio da floresta?

18. Por que Mr. Eko foi assassinado? - O temível monstro é na verdade um testador de fé cristão?

17. A lista dos Others

16. As "pessoas boas" da lista dos Others

15. Por que os Others querem crianças? Alex, Aaron, Walt, ...

14. Como tantas pessoas sobrevivem à uma queda de avião?

13. Simbologia cristã

12. Qual o verdadeira plano dos Others?

11. O que esconde a ilha? - Certamente equipes de resgate foram ativadas para procurar o Black Rock, o Henry Gale e seu balão, Desmond e seu veleiro e agora os passageiros do vôo 815. O que impede que a ilha seja localizada?

10. A Doença - Rousseu fala muito da doença, Desmond tomava vacinas, as portas do hatch dizem Quarentena.

9. Poderes de cura da ilha - verdade ou mentira? e se é verdade... por que o Ben tem um tumor? :)

8. Pernas do Locke - como, por que e quando ele perdeu as pernas? por que sua 'cura' vem e vai?

7. Aparição de personagens mortos

6. Ursos polares

5. As incomuns coincidências e conexões entre os personagens.

4. The Dharma Initiative



3. Poderes do Walt - Algum dia vamos saber alguma coisa sobre os misteriosos poderes do muleque?

2. O Monstro

1. Os Números

13 de novembro de 2006

Lost - Pros e contras da 3a temporada

***SPOILER DISCLAIMER***
este post pode conter informações que irão estragar o prazer da surpresa se você não assistiu Lost até o 6o episódio da 3a temporada.

A atual temporada de Lost teve 6 episódios e agora entra em uma pausa de 3 meses antes dos outros (espera-se) 18 ou 19. Ao contrário de qualquer coisa sobre a ilha e a trama principal, o que acabei descobrindo é que Lost não é e dificilmente voltará a ser o que foi na primeira temporada.
Pode parecer uma constatação óbvia, mas ser uma série de duração indeterminada e não uma novela ou uma mini-série estão progressivamente fazendo muito mal à história.

Claro que nem todos concordam com isso. Tentei reunir os 5 principais pontos de discórdia entre os fãs que gostaram do que viram até agora e os que percebem um declínio do seriado.

Vamos a elas:

PROS
1. Novas possibilidades: no mínimo temos toda uma nova área da ilha, na verdade uma outra ilha, uma nova instalação, uma porrada de novos personagens com suas próprias histórias, backgrounds e mistérios. Há um bom potencial e ainda poderemos ter toda uma nova gama de flashbacks irrelevantes.

2. Novos personagens: Algumas pessoas resmungam que os novos personagens estão apenas tirando tempo de tela dos seus amados personagens originais. É verdade, mas acho que o sangue novo é apenas reflexo necessário de um show que precisa manter sua longevidade. Mas novos personagens trazem novas responsabilidades, e se nego não explicar logo de onde vêem e a que se prestam todas essas pessoas as coisas vão ficar bem chatas.

3. Avanços na trama: Eu bem queria concordar com esse ponto. Os avanços na trama na minha opinião são muitíssimo sutis pra uma mini-temporada fechada de 6 episódios. Consigo achar bom ver que o Locke agora tem um novo objetivo na vida que não envolve ficar apertando botões trancado numa escotilha por todo o sempre, por exemplo. A apresentação dos others e a nova ilha também são avanços, sutís, mas são. Praticamente qualquer outra trama que tenha começado na segunda temporada ficou intocada.

4. Morte de personagens: Sim, quando o Eko morreu eu pensei "não bastava já estar tudo bem mais-ou-menos, ainda tinham que matar um dos personagens mais interessantes e bem construídos e botar Paulo e Nikki!?", mas é claro que a morte de personagens é um ingrediente importante numa série, de certa forma dá uma vida - por irônico que seja - e um impõe um tom mais realístico à ficção.

5. Sexo: Ok, com essa todos nós concordamos. :-)


CONTRAS
1. Foco limitado em personagens: admitam, essa mini-temporada foi praticamente um "The Jack, Sawyer and Kate Show", alguns dos personagens originais preferidos tipo Hurley, Charlie ou Claire foram relegados a meros extras, Desmond agora parece ainda mais importante para a trama principal e teve apenas 1 ou 2 cenas, e alguém aí ainda se lembra do Vincent?

2. Morte do Mr. Eko: Faz você se perguntar sobre todo o porquê da existência da segunda temporada e a "saga da galera da cauda" e se sentir um pouco enganado ao perceber que eles apenas ganharam um bocado de tempo inventando e desenvolvendo meia dúzia de personagens, dos quais não sobrou absolutamente nenhum. Digo, sobrou o Bernard, mas alguém o vê sendo fundamental ou mesmo esbarrando em qualquer uma das subtramas?

3. Nenhum avanço da trama: Esse contra é dos grandes. Eu agüento teasers, quem assiste Lost está acostumado a eles, mas estão exagerando. Pra onde diabos estamos indo? Seis episódios com os others e não sabemos nada sobre eles? Se Kate e Sawyer estão presos pra ficar quebrando pedras o mínimo que se espera é uma pista de pra que eles o fazem. Temos três personagens em contato direto com os others e em momento algum se pergunta um simples "quem são vocês? como chegaram aqui? o que estão fazendo? por que e pra que?".

4. Personagens idiotas: Desculpe Santoro, mas Paulo e Nikki são a pior coisa que já aconteceu à série. Até mesmo o surgimento e morte do Dr. Arzt no final da primeira temporada foi mais aceitável e dava pra acreditar que ele estava ali o tempo todo de fato. Mas nesse momento é muito tarde e muito porco jogar duas pessoas ali, agir como se eles estivessem ali o tempo inteiro e esperar que aceitemos. A primeira frase do Paulo em Lost foi algo no nível de "mas quem são os outros?". Pqp, é assim que você quer nos convencer que ele está lá o tempo todo desde que o avião caiu? HAHA.

Os velhos personagens também estão bem idiotizados, Locke tem que ler o cajado do Eko duas vezes pra entender a referência ao norte? Locke nunca entendeu ou se interessou pelo esquema dos monitores da Pearl até a Nikki ter sugerido? Porra, mesmo depois de assistir o filminho de orientation 50 vezes? E Sayid pergunta "que monstro?" Ele não tava lá quando árvores balançavam e saiam do chão na frente de todo mundo?
Um pouco de consistência, por favor.
o que nos leva ao ponto crucial...

5. Furos de roteiro: Suspension of disbelief é uma expressão americana sem tradução que se aplica a obras de ficção quando há uma "suspenção da realidade", crença ou verossimilhança. Quando há a boa vontade do leitor em aceitar as premissas de um mundo de fantasia. Quando você se deixa levar pela história e aceita aquilo como verdade e é levado por ela. Se você assiste Star Wars ou De Volta Para O Futuro você está tendo uma experiência de suspension of disbelief, ninguém sai do cinema falando "não gostei, é mó mentirada", porque aquela é outra realidade que não tem compromisso com a sua. É um contrato entre o filme o espectador, a chamada "magia do cinema". :)
Você pode traçar o que quiser na sua ficção, no entanto, uma vez dentro daquela realidade, estabelecido o senso comum e apresentadas suas regras, você tem que seguí-las.
Em Lost essas regras foram mal administradas, algumas esticadas até arrebentar e a magia do cinema está agindo contra a série e se tornando furos de roteiro.
Acho que isso merece um post próprio, portanto continue abaixo.

Lost - Sobre continuidade

Às vezes ao fim de cada episódio fico achando que os roteiristas estão cavando sua própria cova e que não fazem idéia de como prosseguir ou de como enrolar mais e começam a cometer deslizes.

Nesse momento nós temos uma nuvem preta que come gente, um urso polar que mora numa caverna, uma ilha com poderes mágicos de cura, e a lista continua... mas isso nem seria problema, se alguém se importasse em ao menos ameaçar explicar alguma coisa. Da próxima vez que um plot ridículo for iniciado e abandonado completamente 2 episódios depois irei pessoalmente ao set botar fogo em tudo. :)

E a cada semana vai se fortalecendo aquela aquela impressão de que existem roteiristas novos na série que nem sequer viram as duas primeiras temporadas. Só pode ser.

Uma hora você tem others raptando pessoas no meio da noite, quebrando pescoços para tirar a suspeita de cima de si, pendurando drogaditos pelo pescoço e deixando-os a balançar até a morte. Daí na temporada seguinte eles batem no peito e dizem que não são assassinos, que eles é que são os "bons moços", e pior, ainda falam isso para as próprias pessoas que eles prenderam e torturaram.

Essa temporada nos agraciou com coisas incríveis como uma nova ilha.
Ora, nego já deu umas voltas pela ilha a pé, já subiu no ponto mais alto, já fizeram uma jangada e avançaram quilômetros mar adentro e já deram umas voltinhas com o veleiro do Desmond. Apresentar uma nova ilha visível a olho nú agora e dizer que sempre esteve lá é idiotizar seus espectadores.

Em dado momento haviam três pessoas dentro da escotilha, ela explodiu e virou uma cratera gigantesca. O que você espera que tenha acontecido a essas pessoas?
Bom, uma delas ficou muda durante 20 minutos, a outra acordou sem roupa e com poderes divinatórios, e a última serviu de lanche para um urso polar mas nunca levou uma dentada. ahn?
E sobre a própria escotilha que era tão fundamental para a ilha, tão funcional e perigosa que fez o Locke se cagar todo e admitir o erro, que regia uma engenhoca eletromagnética capaz derrubar aviões e fazer o céu ficar roxo, e etc. Não, não se toca mais nesse assunto nessa série. Próximo tópico, por favor.

Os flashbacks tornaram-se totalmente sem sal. Quando o show começou eles eram inteligentemente usados para ilustrar uma situação estranha ou mostrar como os personagens acabaram naquele avião. Agora parece que os flashbacks são usados apenas para 'desenvolver' os personagens, o foda é quando o desenvolvimento do personagem não bate com o que ele é.

Em um episódio a Rose tem certeza que seu marido está vivo e você é levado a crer que ela tem um longo, frutífero e feliz casamento a ponto dela e o marido terem uma conexão psíquica e o escambau. No flashback - tchanam! - você descobre que eles acabaram de se conhecer! :-)

E que tal isso, a Kate do flashback é uma filhadaputa de marca maior, sem coração, má pacaralho, fugitiva do FBI, explodiu o pai, planejou um assalto a banco e basicamente traiu e sacaneou todo mundo com quem teve algum contato algum dia na vida, incluindo a mãe, namorado, amigo de infância e marido. Ok.

Aí você tem a Kate da ilha, que é feita de refém por qualquer idiota em 2 segundos e que fica sentada numa cela da qual ela pode sair a qualquer hora porque não quer se separar dos seus 'amiguinhos', os quais ela conhece a 2 meses.
Mesmo sem todo aquele background já não nenhum faria sentido.

No mais recente episódio Jack tem a chance de iniciar uma fuga, ele fala com a Kate pelo walkie-talkie e manda que corra, essa totalmente descontrolada e chorando de soluçar não consegue falar coisa com coisa. Por que ela não fala, cacete, que o Sawyer está prestes a ser executado na frente dela? Por que ela não fala, cacete, que eles estão em outra ilha e que simplesmente não tem lugar algum para onde correr? Será que ela acha que essa informação é irrelevante e que é melhor ela ficar fungando no microfone? E para o Jack, não havia forma melhor de aproveitar a vantagem que ele tinha naquele momento?

A ladeira é íngreme e muito em breve nada nessa série fará mais sentido...
Ora veja você que na semana passada mesmo uma garota invadiu um campo de trabalhos forçados, cheio de pessoas fortemente armadas, portando apenas um maldito estilingue.

Já até consigo me ver achando Lost a pior série de TV de todos os tempos... só não consigo me imaginar sem assistí-la toda semana. :)

10 de novembro de 2006

Love is all you need

Nada melhor pra lembrar que a vida é curta e deve ser aproveitada de modo apropriado do que um vizinho mal encarado brincando com bombas nucleares.

Desde o início de outubro o consumo de camisinhas na Coréia do Sul aumentou 28% e os motéis estão com agendas lotadas até o fim de novembro. (Link, link e link)

8 de novembro de 2006

30 de outubro de 2006

Contradições

Uma pena que hoje para se votar em Lula tenha-se que fazer mirabolantes justificativas, dizer e desdizer uma dúzia de vezes, de mentir e explicar mentiras que vão se revelando sozinhas enquanto a pessoa segue convencendo somente a si mesma.
Há 4 anos o mesmo voto vinha carregado de otimismo, orgulho e esperança. Hoje vem repleto de conformismo, frustração e contradições.

Quem votava em Lula podia se dizer de esquerda, anti-Sarney, anti-Jader, anti-PMDB e um monte outras de coisas que hoje não pode mais. Lula beija as mãos do corrupto Jader Barbalho, sobe em palanque de mãos dadas com Sarney e aqui no Rio apoiou o bispo Crivella (e agora Sérgio Cabral) em detrimento do candidato de seu partido, enquanto isso os eleitores fingem que não vêem e seguem amando-o incondicionalmente.
O voto em Lula hoje é um voto por default nesses oligarcas regionais. Votar em Lula é fortalecer ainda mais o poder de Sarney e do Jader. Quem vota no Lula pode se considerar, na prática, eleitor de Sarney e Jader.
E, vejam bem, a priori não tem nada de mais alguém votar no Lula e, por default, apoiar o Jader e o Sarney. O complicado é conciliar isso com ataques a mesma direita obscurantista que Jader e Sarney representam - Alex Castro.
E um fenômeno curioso foi observar eleitores do Lula ficarem chocados ao ver Maluf e Collor eleitos em seus respectivos currais. Qual então será a história que contam a si mesmos para não se chocarem com seu próprio voto?
Sempre me perguntei como foi possível aos americanos terem reeleito Bush mesmo sabendo que ele emcampou uma guerra baseada em mentiras. Como é possível um cara continuar a votar no Maluf mesmo sabendo que ele roubou pra caralho? Como era possível que os integrantes "honestos" do PMDB, do PP, do PFL, do PTB, fossem tão coniventes com aqueles companheiros que notoriamente roubam?
Hoje, os petistas sabem como isso é possível. - Kitagawa (via LLL)
A vida petista era mais fácil quando tudo era uma apenas uma utopia possível, e devia ser bom depositar as esperanças num futuro que nunca ia chegar, pois dessa forma a esperança se perpetua e não há nada pior do que viver sem ela.

Quando você sonha e investe num sonho décadas da sua vida, defende com unhas e dentes, cai na porrada com os amigos e está absolutamente certo e "você vai ver só quando for a hora", será que é realmente bom que ele se realize? E se for uma merda, como você se justifica?

É muito mais confortável ser um coitadinho que nunca teve a oportunidade, como fazer parte daquela melhor banda do mundo cuja as gravadoras é que não tem visão o bastante pra contratar e o grande público é que não tem cabeça suficiente pra entender.

29 de outubro de 2006

Ninguém agüenta

Hoje vou às ruas, faço um certo esforço e me lembro vagamento quando dia de eleição era um dia de festa, quando ia com meu pai a pé até a zona eleitoral que era quase em outro bairro e durante o caminho podia ver a expressão de satisfação e certeza das pessoas que iam e voltavam de seu 'dever cívico'.

Hoje saio às ruas para vê-las apáticas, a cada ano (ou quatro) mais e mais e creio agora que apenas aqueles tiveram este direito negado e brigaram tanto por tanto tempo para tê-lo ainda consigam extrair o verdadeiro prazer do ato que lhes foi privado durante décadas.

Imagino que apenas aqueles representantes da geração que fez 18 anos em 1964 ainda possam estar radiantes, fazendo discursos, acompanhando campanhas, lendo propostas e saindo pra votar cheios de orgulho e esperança pensando estar fazendo algo bom por seu país.

Dê a essa galera mais 12 anos de vida, ou 3 eleições e eles estarão lutando pelo voto facultativo.

28 de outubro de 2006

Apenas *parece* piada.

No evento mais politicamente incorreto de todos os tempos, a empresária Maria Dora que baleou um ladrão no início do mês, esteve na Câmara dos Vereadores para receber a medalha Pedro Ernesto, honraria concedida a pessoas que prestaram um bom serviço ao Rio.

Em seu discurso, Dona Maria defendeu que os desocupados, mendigos e sem teto que ficam pelas ruas do Rio deveriam ser atirados no meio do mar.

O vereador Carlos Bolsonaro (PP) que teve a iniciativa de premiá-la ainda declarou em entrevista "É uma pena que o tiro tenha pegado na mão e não no coração, pois seria um vagabundo a menos".

By the way, a aposentada não possui porte de arma e pode pegar até 4 anos de cadeia.

26 de outubro de 2006

The Sexiest Woman Alive


e estamos conversados.

24 de outubro de 2006

VideoGamesLive no Rio!

Mas que é isso?

Video Games Live™ é um evento que envolve videogame, música, show e performance. São algumas das maiores e mais marcantes trilhas sonoras de videogame de todos os tempos arranjadas e executadas ao vivo por orquestra e coral acompanhada de video, iluminação e perfomances eventuais num espetáculo único de nerdice incomparável.

Depois de insistência dos fãs, a turnê veio ao Brasil para uma apresentação única em São Paulo, e com um pouco mais de pentelhação acabou confirmada para o dia 12 de novembro uma performance extra aqui no Rio, no Claro Hall com a Petrobras Sinfônica e Coral.

Dentre os hits confirmados estão os óbvios Castlevania, Final Fantasy, Mario e Zelda ao lado de boas surpresas de clássicos recentes como God Of War, Metal Gear Solid e Warcraft.

Claro que nesse momento você está preparando um comentário ácido pra escrever aí embaixo ou dando uma bufada e uma revirada de olhos que valem mais que mil palavras - mas para os que como eu eram apenas um pequeno garoto nerd durante os anos 80 (hm, é, pouca coisa mudou), um evento como esse significa mais que mil festas Ploc, shows do Perdidos na Selva ou voltas do RPM. :)

16 de outubro de 2006

dúvida

10 de outubro de 2006

O crime que compensa

E então, para delírio do povo de Wall Street, os rumores se confirmaram e Google anunciou ontem a compra do YouTube por 1.6 bilhões de doláres.

Mas o que leva alguém a comprar o YouTube?
Você conhece, adora e consegue perder horas da sua vida clicando de um vídeo pra outro indefinidamente, mas você entende como o YouTube faz dinheiro?

Pois é, ele simplesmente não faz dinheiro algum. Em seu ano e pouco de existência o YouTube não fez um centavo e acumula uma dívida perto dos 30 milhões de dólares, a maior parte dessa grana relativa à custos de banda.

Talvez os advogados do Google estivessem pedindo um pouco mais de aventura em suas vidas.
Todo o modelo de negócios (se é que se pode usar este termo nesse caso) do YouTube é baseado na violação de copyright alheio. O YouTube só é o maior fenômeno do vídeo online porque a maior parte do seu conteúdo é roubada de alguém sem aviso, permissão, ou royalties. Você não passaria o tempo que passa no YouTube se nele só houvessem videoblogs de teenagers americanas e gatos fazendo coisas fofas.

Americano já é uma galera que nem adora um processo mesmo. Aliás, se eu fosse um advogado americano eu agora estaria fazendo upload da minha incrível imitação de Elvis Presley e entrando com um processo amanhã. Afinal, o YouTube podia não ter grana, mas Google tem.

Bolha 2.0
De qualquer forma, é curioso tudo isso, tem um certo cheiro de 'bolha internet' novamente, quando negócios falidos e sem perspectiva eram comprados por valores beeeem maiores que o YouTube foi. Lá, como aqui, o mérito é todo do adquirido por ter feito o outro dizer "eu topo".

Mas a internet é fascinante e aposto que esse modelo vai fazer escola e, como o modelo Amazon.com e o modelo Google, pessoas vão escrever livros, teses e fazer palestras sobre o modelo YouTube, que consiste em abrir e deixar sangrar meio milhão por mês durante um ano e depois vender tudo por 50 vezes mais.

Agora é esperar 2 ou 3 anos e pagar pela língua ou concluir que realmente o Sr. Eric "Google" Schmidt estava louco e retardado naquele outubro de 2006.

Sobre o debate

O mais espantoso do debate não foi aerolula, mensalão, dossiê, pcc ou os boatos de privatização, mas a assombrosa inaptidão do nosso presidente em realizar concordâncias. Podem ver qualquer trecho.

9 de outubro de 2006

N.Korea vem aí, e o bicho vai pegar

Finalmente aconteceu neste fim de semana o temido, mas esperado, primeiro teste nuclear da história da Coréia do Norte. Uma explosão subterrânea de poder 40 vezes menor do que a bomba que caiu sobre Nagasaki e foi suficiente para causar um tremor de quase 4 pontos na vizinha Coréia do Sul. E os Estados Unidos acaba de ganhar mais um pretexto-que-obscurece-a-verdade pra cair dentro.

8 de outubro de 2006

Lula quer discutir ética.

Isso vai ser divertido.

4 de outubro de 2006

A Big Fat Failure

1 de outubro de 2006

PT

Se antes eu tinha de votar neles porque eram diferentes. Agora querem meu voto porque são todos iguais. (gustibus)

30 de maio de 2006

O prato que se come frio.

No último domingo, após fazer sua melhor prova do ano Rubens Barrichello conseguiu um bom 4º lugar no GP de Mônaco, para isso teve que segurar o alemão Michael Schumacher atrás de si durante as 15 voltas finais nas ruas do principado. Entrevistado após a corrida, seus olhos nao conseguiam esconder a emoção quando declarou : "Não sou mais companheiro de equipe, se quiser passar vai ter que ser por cima".
Eu achei bonito.

2 de maio de 2006

Piada pronta

RIO - O ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, prossegue com a greve de fome iniciada no final da tarde de domingo (...) ele queixa-se de falta de espaço na imprensa para se defender das denúncias que envolvem doações para sua pré-campanha. Garotinho, no entanto, permanece numa sala da sede regional do PMDB, no centro do Rio, onde pode ser observado por uma porta de vidro, mas não aceita conversar com os jornalistas. (O Estado de São Paulo)

1 de março de 2006

Lidos (fevereiro/06)

Como o passado, também este foi um mês de muitos livros, mas vamos lá, jogo rápido pra garantir o postzinho mensal :)

O Caçador de Pipas - Khaled Houssini
Tem pessoas que abominam um best-seller. Também já fui assim, mas tenho descoberto cada vez mais que um best-seller quase sempre o é justamente. O mais impressionante do Caçador de Pipas é a narrativa e a profundidade de detalhes com que o autor vai desenrolando o carretel da história. Não me entendam mal, não é o caso de ser superdescritivo com cenários e ambientes como um Tolkien, mas sim de elaborar os personagens com pequenas histórias, sentimentos e reflexões de tal modo que quando o pequeno Amir chega aos quarenta anos e se lembra de um episódio de infância, o autor não precisa fazer um corte e flashback pra contar a história, porque o leitor sabe de tudo de sua vida como se sua própria fosse.

O Apanhador no Campo de Centeio - J.D.Salinger
Foi a primeira vez que reli um livro, lembro de ter lido O Apanhador no último ano que permaneci da faculdade de direito, quando já não ligava pra mais porra nenhuma e passava as aulas de direito do trabalho e constitucional mergulhado em livros que eu catava na biblioteca da faculdade. Aliás, uma das coisas que mais sinto falta na PUC é da biblioteca, porque a da Cidade é uma merda.
De qualquer maneira, embora eu talvez estivesse lendo na idade ideal sempre fiquei a impressão de ter entendido e aproveitado muito menos do livro do que poderia, e estava certo. O Apanhador se justifica um clássico em cada sacada e observação de Holden Caufield.
O livro conta a história de um jovem que perambula pela cidade após ser expulso do colégio enrolando até o dia de voltar pra casa, para que seus pais perguntem porque ele chegou antes do fim das aulas.
O humor sarcástico de Caufield permeia todo o livro e algumas reflexões tornam-se parte de quem lê como quando se dá conta de "Quem quer flores quando se está morto? Ninguém." ou se revolta ao ir ao colégio da irmã menor e tentar apagar um "fuck you" pixado no corredor onde a caçula passa diariamente, "Mesmo que você vivesse um milhão de anos, não conseguiria apagar nem metade dos 'fuck you' escritos nas paredes do mundo".

Sobre Falar Merda - Harry G. Frankfurt
Sinceramente esperava uma babaquice rápida e indolor, um texto leve, engraçadinho e bem escrito debulhando com definições fanfarronas e cheio de citações e diálogos exemplo.
O que encontrei foi um texto chato e sem humor sobre o tema, uma dissertação formal acadêmica, sobre o fenômeno do falar merda e com citações sim, mas de malas do passado como Wittgenstein e Pascal que já condenavam a falação de merda - aparentemente um fenômeno atual - no início do século passado.

Como Ser Legal - Nick Hornby
Mais uma vez enganado pelo título e pelo autor, dessa vez esperava o que se espera de um Hornby, um loser que se transforma e se dá bem no final e esse título de auto-ajuda seria apenas uma fina ironia porque o personagem podia ser também um tremendo filho da puta ou baita dum anti-social.
Mas o livro não tem nada disso e a aparente decepção começa ao descobrir que o título original é "How To Be Good". good, e não cool, malditos tradutores.
E logo você se descobre lendo sobre uma médica, casada com 2 filhos que não agüenta mais sua vida com o marido mal-humorado, os pacientes de sempre e o amante sem graça e resolve passar tudo a limpo. Como se identificar com isso?
Mas tudo bem, você se lembra que ele teve um filho com problemas e por isso esteja mais sensível, mais zen, mais preocupado em passar boas mensagens para o mundo and shit e aceita a nova pegada, vai em frente e o livro acaba se tornando uma boa boa surpresa, mas com toques de auto-ajuda (ainda que sem ser péla) o bastante para justificar o título. Não leiam as orelhas ou contra-capa sob pena de estragar surpresinhas que eu tentei preservar aqui.

Pergunte Ao Pó - John Fante
O estilo direto, os personagens uniques e relacionamentos disconexos transformaram esse que vos fala num novo fã de John Fante. O filme, devidamente destruído na cerne de sua história, chega em março e todos conhecerão minha amiga e ídola Camilla Lopes, interpretada lá por Salma Hayek. :)

O Espinafre de Yukiko - Frédéric Boilet
Na verdade um mangá, e não sei se deveria figurar nessa lista, mas preciso dizer que tudo nele é bem fraco, desde os desenhos sem personalidade, que parecem fotos traceadas - ninguém quer ler fotonovelas - à história, insossa e superficial. A obra tem claramente muito apelo e significado pessoal e o autor deveria tê-la preservado assim ao invés de expôr e publicar uma história que não diz nada a ninguém a não ser a si mesmo.

Numa Fria - Charles Bukowski
Na ânsia de me aproximar de novo de Fante, ingressei por Bukowski, o mais famoso "discípulo". :) Mas essa coletânea de contos peca por ser longa demais. Ao longo dela o estilo de Bukowski se mostra tão sólido que em certo ponto o livro perde a graça, depois de ler tantos contos você já entendeu o estilo, já conhece quais os 3 ou 4 personagens e enredos possíveis e consegue até prever o final (ou a falta dele) e o que você acharia genial se tivesse lido um ou outro conto isolado passa a parecer um eterno pastiche de um pastiche de si mesmo. Espero um romance dele pra desfazer essa impressão.

A Arte de Escrever Bem - Dad Squarisi & Arlete Salvador

A cada dia se escreve mais que no dia anterior, cada vez mais pessoas se comunicam mais através de mais meios. O denominador comum dessa comunicação são as combinações das palavras e é disso que trata o livro, não é voltado especificamente para romancistas ou contistas nem executivos ou secretárias.
Os exemplos mais comuns são voltados pra jornalistas e professores, mas aproveitáveis por todos, e embora tenha função didática a linguagem é leve e divertida ao contrário de enfadonha ou dona-da-razão.

A Hora da Estrela - Clarice Lispector
Um dia me dei conta de que eu nunca havia lido uma escritora mulher na vida, exceto J.K.Rowling. Tratei então de pensar rapidamente em mulheres escritoras e as primeiras que me vieram a cabeça foram Clarice Lispector e Isabel Allende (mais sugestões no comments, por favor), me arrisquei nesse da Clarice e embora não tenha sido o livro mais sensacional do mundo (nem melhor que Harry Potter, na verdade :)), a personalidade na forma de escrever é bem impressionante com realismo, realismo inventado e recheado de metalinguagem. O narrador Rodrigo S.M. vai contando e contando sobre como é contar a história da jovem Macabéa. Em certo ponto você se depara com notas do autor tipo "Estou com preguiça de escrever essa história agora, volto daqui a 3 dias" ou "Como é chato isso. Descrever me cansa" que adicionam humor e originalidade numa história que por sua vez, sai do nada pra lugar nenhum e acaba por depender mais desses recursos para se tornar interessante. Hmmm, enquanto escrevia essas últimas linhas acabou de me ocorrer Virginia Woolf e Sylvia Plath, mas mulher deprimida escrevendo deve ser insuportável.

30 de janeiro de 2006

Lidos (janeiro/06)

Bom, não sou crítico literário nem intento ser, mas a gente sempre fica afim de comentar um livro assim que fecha a contra capa, esse mês foi um recorde graças as férias da faculdade, espero não ter esquecido nenhum, se o fiz foi porque mereceu :)

As Intermitências da Morte - José Saramago
- Me tornei grande fã do Saramago desde que fui apresentado a ele pelo meu companheiro de blog em "Ensaio Sobre a Cegueira", tenho tentado acompanhar tudo dele desde então, perdôo seus altos e baixos e relevo suas idéias repetidas, mas esse livro apesar de fino (200pgs) foi um dos mais difíceis de terminar, o livro conta a história de uma cidade em que no dia primeiro de janeiro determinado ano as pessoas param de morrer, as consequências causadas pelo evento são bem inventivas e interessantes, mas a narrativa que em "Ensaio" era uma das coisas mais interessantes e o que mais me atraía no autor é um pouco enfadonha, repetitiva e extremamente informal a ponto de parecer por vezes um papo de bêbado, que não vai nunca pra frente e fica ali batendo na mesma tecla e conversando por horas sobre a mesma coisa, abrindo parênteses de parênteses e esquecendo-se de concluir os nós da própria história que por si só vai se tornando desinteressante quando pára de falar sobre a consequência da não-morte no povo daquela cidade e passa a enfocar a vida e os problemas do personagem morte.


Ponto de Impacto - Dan Brown
- Nas vésperas das eleições presidenciais é descoberto no ártico um meteoro contendo evidências de vida extra-terrestre. "Putz!" - vocês estão pensando - "que merda."
O que eu posso fazer? Dan Brown é mesmo meu guilty pleasure, o bestsellerista d"O Código Da Vinci" vem mais uma vez com seu template nervoso e cinematográfico, dessa vez no lugar de Opus Dei e Priorado de Sião os personagens são a NASA e a Casa Branca e ciência e política dão tanto ou mais pano pra manga que religião e arte.
O livro é tudo que você espera e segue certinho a receita Brown, tudo se passa em 24h e é impossível larga-lo no meio. Se, como dizem, só existem 15 histórias no mundo, Dan Brown achou sua e não vai parar de recontá-la, esse cara naturalmente vai se tornar o Sheldon da vez e como tal vai ser odiado pelos literatos e amado por todas as pessoas que só leram um livro na vida, mas foda-se, eu posso ficar com o caminho do meio dessa vez. ;)


A Casa dos Budas Ditosos - Joao Ubaldo Ribeiro
- Dica da Sayuri, que se divertiu horrores com o livro e me fez ler. Rápido, divertido e despretencioso, "A Casa dos Budas Ditosos" conta as memórias de uma velha que foi uma devassa em juventude, não tem propriamente uma história e os pensamentos da narradora vão saindo naturalmente de forma super informal, os 'causos' vão se misturando à comentários, se misturando à opiniões, se misturando à fatos novamente, como uma grande bola de neve que vai rolando sem que ninguém a empurre, sem pretensões de amarrar pontas soltas ou concluir todos os personagens e embora o tema seja sexo e vícios não tem nada de chocante ou assombroso, só alegria. :)


A Cura de Schopenhauer - Irvin D. Yalom
- Dica do Luiz, esse livro é a cara dele por ter um começo meio péla :), uma escrita às vezes quase-poética-afetada, mas depois das primeiras vinte páginas de má vontade o livro acabou descendo muito bem, embora por vezes pareça mais um livro didático de psicologia do que propriamente um romance. A história é sobre um terapeuta que reencontra um paciente antigo que ele nunca conseguiu curar e descobre que ele se curou sozinho lendo Schopenhauer, mas que se tornou uma pessoa socialmente inapta, o terapeuta o convida para suas seções de terapia em grupo e a história discorre a partir daí com os conflitos do grupo tomando a maior parte do argumento. O livro alterna capítulos dedicados à história com outros contando a biografia de Schopenhauer, o que por vezes me fez lembrar a estrutura de O Mundo de Sofia, mas felizmente Irvin Yalom é bem sucedido em suas intenções, e "A Cura de Schopenhauer" é algumas vezes melhor que o cultuado e superestimado livro de Josten Gaardner.


No Sufoco - Chuck Palahniuk

- Chuck Palahniuk é atualmente o meu autor preferido no mundo. É mais conhecido pelo premiado Fight Club (Clube da Luta) filmado em 1999 por David Fincher e de seus 7 livros lançados lá fora apenas 3 haviam sido publidados em português. Mês passado a Rocco lançou o quarto, No Sufoco (Choke no original).
No Sufoco é, como todos os livros de Palahniuk, uma genial e nausante história de amor (por vias tortas), uma narrativa claustrofóbica e uma obra-prima de humor-negro. É de se ler com lápis na mão, sublinhando aqui e ali as ácidas e instigantes observações de Victor Mancini, o anti-herói que protagoniza o livro.
Como geralmente acontece, depois de ler alguns livros do mesmo autor você invariavelmente nota seus cacoetes e vicíos de escrita e de idéias, mas como eu digo à quem o recrimina, "se eu quisesse ler um livro do Palahniuk que não tivesse nada a ver com um livro do Palahniuk eu não estaria lendo um livro do Palahniuk", por mais óbvio que possa parecer nós automaticamente recriminamos aqueles que se copiam indefinidamente por mais valiosa que sua idéia original seja. Mesmo observação se aplica aí acima para Saramago e Dan Brown, reconheco seus vícios e cacoetes mas se eu não quisesse ler um Dan Brown eu não teria pego um Dan Brown pra ler. :)
Choke apesar de genial em comparação a muita coisa por aí, é dentro da bibliografia Palahniuk apenas mais do mesmo e seu romance menos interessante publicado no Brasil. Recomendo para fãs, mas para se apaixonar pelo autor procure um dos outros 3 livros lançados por aqui primeiro.


A Grande Caçada aos Tubarões - Hunter. S. Thompson
- Thompson foi um cara altamente alucinado que deixou uma marca pelo seus estilo de escrever em que realidade e ficção se misturam livremente o tempo todo, criou o chamado gonzo jornalism em que o repórter sujeito da noticia e ela se faz através de anotações e transcrições de fita e não por textos propriamente escritos, seu livro Medo e Desespero em Las Vegas virou um filme totalmente psicodélico de Terry Gilliam com Johnny Depp no papel do próprio Thompson. O livro em questão aqui é uma coletânea de artigos escritos para a Rolling Stone e Playboy entre 1960 e 1970. Por escrever artigos no ponto de vista próprio, o livro acaba sendo meio auto-biográfico e algumas das melhores crônicas para nós, fatalmente são as que narram sua passagem pelo Brasil e suas observações dos hábitos dos nativos.


Pilatos - Carlos Heitor Cony
- Rodolfo me emprestou esse e eu o aceitei de bom grado muito mais baseado na sinopse do que em qualquer outra coisa. Veja se não é do caralho (com trocadilho, por favor): "Homem sofre acidente e tem seu pênis amputado, a partir daí passa a carregá-lo dentro de um pote de conservas para onde quer que vá", é original e dá margem à uma quantidade infinita de piadas, principalmente quando você se dá conta de que a primeira amizade que ele faz depois do acidente é com um viciado em sexo.
No entanto o livro se mostra bem menos do que eu esperava, as piadas não são engraçadas e o estilo de escrever é tão sem rumo que você por vezes se pergunta "o que eu tô fazendo aqui?", personagens importantes somem e novos aparecem e os contos (todos ótimos) de um dos personagens interrompem a história vez por outra sem acrescentar nada para a mesma. Enfim, um livro curioso, de um autor importante e que eu não conhecia, mas um texto quase datado, que claramente foi escrito nos anos 70 e provavelmente sob uso de alucinóginos. :)


O Xangô de Baker Street - Jô Soares
- Enquanto meus pedidos no Submarino e na Sodiler não chegavam me arrisquei nesse que era o último da estante que eu ainda não tinha lido, dei pro meu pai na época do lançamento (1996) porque tinha alguma curiosidade mórbida de ler depois, mas nunca tive saco, nem meu pai, e o livro amarelou na estante sem que ninguém jamais o tivesse lido.
Antes tivesse permanecido assim, ao longo de 320 páginas Jô Soares se alonga num suposto mistério policial que não fode nem sai de cima, a história não cresce e nem se torna interessante em nenhum momento. Ora veja você que num suposto mistério de 320 páginas você não ganha nenhuma pista decente até a página 170 e então na 200 você ganha uma pista ultra óbvia e na 220 uma pista óbvia q concorda com a outra. Então, num dado momento você não sabe de nada e no outro você tem certeza de tudo, o livro não te faz se interessar pelo grande mistério e nem te convida a desvendar o caso, mas e sim te deixa alheio assistindo um festival de gags sem graça e um desfile de personagens históricos do Brasil império interagindo entre si apenas para mostrar que a pesquisa do autor foi caprichada o bastante para lhe confirmar como resposta padrão de pessoas burras para a pergunta "pessoa inteligente?".

4 de julho de 2005

Obrigado Bob

Os problemas da Africa vão continuar todos aí, mas hoje o mundo é um lugar melhor.

24 de junho de 2005

Consumidos do mês

ou "Revelando maus hábitos"

Fortaleza Digital (Dan Brown) - O livro de estréia do best-sellerista é como um filme de Schwarznegger: legal, divertido e rasteiro, e se mesmo um filme de duas horas às vezes te faz sentir que está perdendo tempo "com essa porcaria", num livro de 330 páginas a sensação é bem mais intensa. Do mesmo template - e "template" nesse caso, não é uma piada exagerada - de Código Da Vinci e Anjos e Demônios.

31 Canções (Nick Hornby) - A primeira reação é ficar meio assim assim, porque das 31 canções que batizam as historias do livro, arrisco dizer que um brasileiro normal só conhece lá umas 3 ou 4, mas acaba que o conhecimento das músicas não compromete a leitura que embora às vezes pareça com uma coluna do Dapieve, em geral é uma delicinha.

Hell-Paris 75016 - O primeiro livro de Lolita Pille mais parece um post de uma blogueira ruim.

2 de junho de 2005

The Post Strikes Back

Episódio V - O Império Contra Ataca. Apenas o favoritão, o mais bem escrito e mais bem dirigido filme de Star Wars. Embora seja o segundo ato de uma trilogia e como tal sofra por não resolver nada, não ter um final grandioso e ser apenas o elemento de ligação entre a parte 1 e a parte 3, o time do Império Contra Ataca deu show e realizou um dos melhores filmes de todos os tempos. E vamos aos 10 mais:

10. Luke pendurado de cabeça pra baixo na caverna do Wampa, fazendo papel de lanchinho da noite... e a força sendo usada pela primeira vez pra tirar o sabre da neve.

9. O momento "Eu sou seu pai", a cena mais memorável da saga quiçá da história do cinema. Santa reviravolta.

8. Vader enforcando o Almirante Ozzel pela televisão. Vai dizer que você nunca quis fazer isso?

7. A primeira espiadela na careca cheia de cicatrizes do Vader. Creepy.

6. Leia: "I love you"
Han: "I know"
Porque todo nerd sempre quis ser Han Solo (embora se identifiquem com o Luke) e porque hoje a gente vê um outro episódio da mesma saga e temos que assistir diálogos como "I love you" / "No, I love you more".

5. Luke interrompe o treinamento Jedi pra ir salvar os amigos. Yoda e Obi-wan enchem o saco pra ele ficar mas ele acaba indo assim mesmo. Você pensa "tá legal, o mocinho vai lá, salva geral, volta e continua o treinamento e é óbvio que não vai dar merda, porque se ele morrer não tem mais filme", e quando acaba de concluir o raciocínio Yoda manda a pérola "No, there is another" e derepente ele não é mais tão essencial assim pra história e você já não sabe mais se ele pode morrer ou não. (E aliás, de onde saiu a escada que o Luke usa pra subir no X-Wing quando tá em Dagobah?)

4. Vader sentadinho na cabeceira da mesa de jantar se levanta e impede os tiros do Han Solo na mão grande. É muita classe.

3. Yoda!!
- Tudo! mas especialmente ele batendo no R2 com a bengala (nao importa quantas vezes você assista é sempre mais engraçado que a vez anterior), e quando você se dá conta de que Yoda é Yoda.

2. Tudo dar errado para os mocinhos o tempo todo. Eles perdem a batalha em Hoth, fogem o filme todo, o hyperdrive nunca funciona e no final Luke ainda perde a mão e o sabre. cacete!

1. Yoda andando de cavalinho na garupa do Luke. :)

30 de maio de 2005

A New Post

Pela chegada do Episodio 3 e o fim da era Star Wars e porque eu mal penso, assisto ou acesso outra coisa, o prato do dia é o primeirão, que atualmente atende pela alcunha de Episódio 4 - Uma Nova Esperança e aí vão algumas das maiores razões pelas quais o adoramos:

10. O fato do Red Six ser um gordo tosco e barbudo com sotaque texano e cara de nerd... realmente faz você se questionar sobre a eficiência do serviço militar rebelde.

9. A cena em que os Stormtroopers estão caçando a Leia dentro do Corvette capturado, e ao avistá-la um deles fala "Set to stun" ('configure para atordoar'), por ser tão descaradamente startrekiano e por ser o único momento em tooooda a saga em que uma arma (qualquer arma) faz isso.

8. A maravilhosa e variada fauna de modelos de dróides como cabides ambulantes, binóculos sobre esteiras, caixotes com pernas e caixas de sapato sobre carrinhos de controle remotos.

7. O painel de controle do Raio Trator da Estrela da Morte ficar num cantinho obscuro de uma passarela fininha sem nenhum corrimão e ninguém pra guardar ou operar.

6. O Stormtrooper que bate com os cornos na porta de entrada da cabine de comando da Estrela da Morte e o fato de que isso não foi eliminado do filme com as subsequentes revisões, edições especiais etc, mas que - muito pelo contrário - foi enfatizada!

5. Toda a abertura, o letreiro que sobe que emenda pro Corvette passando e então o Star Destroyer que o persegue passa, passa, passa e não acaba nunca! :)

4. O lance de ser tudo estranho e incomum (ok, já não mais, mas um dia foi), e ninguém ficar parando pra explicar nada, como se você tivesse o dever de já conhecer aquele estranho universo, sua cultura, sistema, política, hierarquias, tecnologia e o escambau. Porque vira e mexe todas as ficções científicas ainda se sentem na obrigação de parar um filme e dedicar umas cenas pra explicar o que é tal coisa, como funciona tal aparelho, ou justificar cientificamente a existência de teletransportes e afins. nhé.

3. Darth Vader. A primeira assustadora aparição, o sinistrissimo enforcamento a distância ("I find your lack of faith disturbing") e como ao longo vamos descobrindo que ele nem tá com essa bola toda (os milicos fazem pouco dele, ele é meio capacho do Tarkin e dizem por aí que ainda tem um tal Imperador que é o rei da cocada preta de fato).

2. O fato de que tudo isso aconteceu "há muito tempo atrás" e não no futuro acrescenta um charme e um molho muito bacana se você parar pra pensar.

1. Han x Greedo : na boa, a discussão em torno dessa cena é um dos melhores - se não o melhor - tópico nerd de todos os tempos.

E não percam a próxima grande aventura.

25 de março de 2005

Sexta-feira, 25 de março de 2005

Uma mulher ligou de Petrópolis.

Sua voz na secretária eletrônica foi ficando aguda, até passar a terminar duas oitavas mais altas, ou com uma leve microfonia no final de cada frase, auxiliada pela má qualidade da ligação, pela idade da secretária, pela loucura, pelo ódio e pelo medo.

Ela dizia "Isso é alguma piada? Por favor, me diga se alguém está te pagando pra fazer isso!".
E a voz, na secretária continuava "Por favor, apenas me conte a verdade, ok? Eu não vou fazer nada, eu não vou chamar a polícia nem nada disso".
Mas verdade é o que ela já tem.

Atrás dela, um ruído ao fundo, uma voz hesitante de criança diz, "Mãe?". A mulher, longe do aparelho, responde "Tudo bem, querido, vai ficar tudo bem, não se apavore, vai ficar tudo bem, tá? Tudo bem...".

Hoje a temperatura se encontra em elevação, mínima de 20, máxima de 30 graus centígrados.

Sua voz na secretária eletrônica diz "Me liga de volta, tá bom?", deixa um número e então diz, "Por favor...".